1. A história de Garanhuns (PE)
O nascimento de Garanhuns (PE) acontece a partir da revolta do Quilombo dos Palmares liderada pelo negro Zumbi – ao qual ficou conhecido como Zumbi dos Palmares e símbolo do movimento negro no Brasil – a expedição que foi mandada para a destruição do quilombo foi liderada por Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista (...). Tudo começou no final do século XVII, quando ele chegou a essas terras, acompanhado do seu filho Miguel Coelho Gomes. Vindos da Casa da Torre, às margens do São Francisco, Bahia, a convite do governador da capitania de Pernambuco na época, Caetano de Melo Castro, o qual recorreu ajuda ao governador geral do Brasil, D. Martins da Cunha, para ajudar contra os quilombos revoltosos.” (LIMA. 2009, p. 35)
A fama de Domingo Jorge Velho já se espalhara pelo Brasil por causa de suas conquistas em outras regiões, principalmente no sudeste brasileiro. As expectativas foram atendidas e o movimento negro veio a baixa e como fruto deste feito o governador da capitania premiou o bandeirante com as sesmarias da região do agreste –território que estende-se atualmente de Garanhuns à Águas Belas . Jorge Velho que não queria ficar na região entregou a seu filho Miguel Coelho Gomes o prêmio e este passou a residir e administrar a sesmaria. Após um determinado tempo nasce sua filha, que foi fruto de uma relação com uma índia da região, a qual recebe o nome de Simôa Gomes. Esta mulher filha de bandeirante e de índia tem participação especial com a cidade de Garanhuns, parte das terras que a pertenciam fez doação para a Confraria das Almas, a qual pertencia a Igreja católica. A doação mostra a religiosidade da viúva Simôa, pois a mesma poderia ter doado suas terras para outros fins como, por exemplo, a moradores, pessoas de sua família ou mesmo aos escravos que colocava-se como uma defensora das causas escravistas.
“Em mil e setecentos
E cinqüenta e seis, então (1756)
Aos quinze do mês de maio
Ela fez a doação
À Confraria das Almas
Que hoje é esse chão “ (LIMA. 2009, p. 47)
A partir da doação das terras a o povoado começava a crescer passando a categoria de vila e depois por decreto de lei foi nomeada cidade através da Lei nº 1309 sancionada em 4 de fevereiro de 1879. A cidade começava a se desenvolver nos âmbitos econômico e social. A economia era voltada para o meio rural que se desenvolveu muito com o cultivo do café e do algodão. Assim acompanhando a economia, a população apresentava características da aristocracia rural. A cidade se desenvolvia, mas continuava com grandes características do campo, as suas ruas eram de barro, sem calçamento e as luzes da cidade eram acesas a base do candeeiro que possibilitava aos seu moradores um convívio maior e de boas “prosas” na porta das casas – costumes que se dissolveriam com o avanço da tecnologia.
A cidade prosperava muito, pois apresentava para todo o Estado de Pernambuco uma característica de cidade européia com um clima frio e uma geografia montanhosa que possibilitara ao município ares diferentes no meio da caatinga nordestina, apresentando, em época mais fria, garoa, o que atraía muitas pessoas que começaram a visitá-la para descanso e desencadeou investimentos financeiros, pois como tinha a cultura de cultivo de café isto gerava muito dinheiro o que possibilitou os grandes investimentos. Garanhuns já se apresentara para o estado como uma cidade de ligação entre Pernambuco e Alagoas, mostrava-se como uma das principais cidades de Pernambuco; o turismo aumentava, a economia crescia e os investimentos não paravam. Segundo Santos esse processo de aceleração econômica se deu a partir da primeira década do século XX.
“[...] Garanhuns caminhava rápido para se tornar uma das principais cidades do estado [...]. A cidade começava a prosperar, ampliar o comércio junto às comunas vizinhas, melhorar as vias de comunicações. Uma linha férrea ligava-a com duas capitais: Recife e Maceió. Naquele mesmo ano surgiram outras estradas [...]” (SANTOS. 1992, p. 21)
Com o crescimento, as diferenças começavam a aparecer. Enquanto apresentava um desenvolvimento econômico, o social não era bem assim, pois não havia calçamento e nem água encanada, grande parte das famílias usavam os banheiros localizados no “Pau Pombo”, “Vila Regina” e “Vila Maria”, chácaras que se situavam na periferia da cidade.
A sociedade garanhuense apresentava muitas contradições, configurando uma população pobre, comandada por coronéis que mandavam na cidade, o coronelismo assolava a política local e promoveu fatos que influenciaram uma grande tragédia ocorrida que foi a hecatombe no ano de 1917, uma disputa política que levou duas famílias ao estopim de uma chacina, as famílias dos Brasileiro e dos Jardim. No conflito toda a classe alta da cidade foi envolvida efetivando-se o final trágico com o assassinato de muitos dos seus participantes, um verdadeiro genocídio.
BIBLIOGRAFIA
- LIMA, Luiz Gonzaga de. Garanhuns em versos: um pouco da sua história, Recife – PE: Polys Editora, 2009.
- SANTOS, Mário Márcio de Almeida. Anatomia de uma tragédia: a hecatombe de Garanhuns, Recife – PE: CEPE, 1992
OBS.:
TEXTO REFERENE A MONO GRAFIA "GARANHUNS (PE) DE 1955 A 1957: CIDADE, IGREJA E PODER.
AUTOR ABRAÃO CÉSAR MAURICIO DE MELLO, ANO 2009, INSTOTUIÇÃO DE ENSINO UPE
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